Brígida: Deusa das Doulas, das Parteiras, dos Partos e das Curandeiras

Quando iniciei o meu caminho para me tornar Sacerdotisa de Brigid, mal sabia eu que depois de me fazer rebolar na sua forja, Ela ia levar-me a um caminho lindo e de resgate de conhecimento antigo, trazido até de vidas passadas.
Desde pequenina que sempre gostei de grávidas. Adoro tocar nas barrigas delas, sentir os bebés, falar com eles, sempre tive curiosidade de ver como nascem, como se posicionavam dentro das barrigas e como era todo o processo de gerar vida dentro da barriga da mãe. Porém, confesso que nunca ponderei a profissão de parteira porque para mim, o processo hospitalar e do parto quase que mecanizado, não fazia muito sentido.
Passado alguns anos, já caminhando dentro do Sagrado Feminino, vi no Netflix uma mini série fantástica sobre a vida de uma mulher, considerada uma personagem secundária da bíblia patriarcal, que era parteira. Dinah, filha de Jacó e irmã de José do Egito, tinha aprendido com a tia a arte do parto nas tendas vermelhas das tribos nómadas do Oriente. Aquilo fascinou-me… a arte do parto, o uso das ervas, dos óleos, da intuição feminina em momentos de aperto… tudo ressoava dentro de mim… eu chorava baba e ranho em vários momentos da história relacionados com o parto. Mais tarde, num retiro maravilhoso onde reencontrei Irmãs de Alma, voltamos a ver a mini série e mais uma vez, baba e ranho por todo o lado… todo o meu corpo reagia àqueles momentos, mas eu ainda não sabia o porquê… contudo, tudo tem realmente o seu tempo.
Dando um salto no tempo, já para o fim do meu caminho no treino como Sacerdotisa de Brigid, depois de todas as montanhas russas a que Ela me levou, lol, surgiu a oportunidade desejada: um curso de Doula, algo que pairava sobre mim desde essa série maravilhosa mas que ainda não tinha surgido a oportunidade (tempo ou dinheiro) para o fazer. Então, como que por magia (que foi sem dúvida) surge a oportunidade e entrego-me de alma e coração à arte do parto humanizado. Eu sei que a Doula acompanha e não pode participar em nenhum ato considerado médico, mas para mim é apenas o início. Estou a fazer um curso com um parteira mexicana linda e maravilhosa que além de ferramentas para as Doula, partilha todo o seu conhecimento na arte do parto natural e humanizado. Posso não aplicar tudo o que aprendo com a Naoli, mas o conhecimento não ocupa espaço.
Brigid é a Deusa de muitos nomes e muitos aspetos, e é também, como Deusa das Curandeiras, a Deusa protetora das Grávidas, das Mães, das Doulas e das Parteiras. Ela acompanha-nos e protege-nos durante o parto e como Senhora dos limiares, Ela acompanha tanto o bebé como a mãe, no atravessar de um novo limiar, numa das muitas passagens da Vida.
À Sua maneira, Ela encaminhou-me para o que precisava aprender como Sua Sacerdotisa, independentemente de todo o trabalho que sê-lo abriga. Aos poucos, resgato conhecimentos antigos, pois através de uma sessão de regressão foi-me mostrada uma vida passada, como sacerdotisa Dela e parteira. Eu era a Sacerdotisa que entendia da cura das ervas e era chamada para os partos de todas as mulheres. Foi um resgate muito intenso, mas agora entendo o porquê de uma Irmã de caminho me chamar de Dinah.
Mas o caminho de Doula e parto humanizado em Portugal ainda é um longo caminho. O parto gerenciado nos hospitais ainda é o preferido e o medo (mais uma vez o medo), incutido sobre partos domiciliares ou até mesmo os partos humanizados nos hospitais, levam à construção de paradigmas que já não nos servem. Mas a cada um o direito de escolher sobre o seu parto.
Esta resistência que ainda existe no nosso país, não é suficiente para me fazer desistir. As opiniões dos outros muito menos, nunca me regi pelo que os outros pensam ou deixam de pensar. Há uma razão pelo qual a minha Alma sempre reagiu a tudo o que uma gravidez abarca, há uma razão pela qual Ela me levou a resgatar esse conhecimento, por isso o caminho é em frente e com o Templo de Brígida-Brigância, quero resgatar a arte do parto humanizado, do parto ancestral e milenar, o atravessar do limiar, para uma nova aventura com a proteção e a bênção da Deusa Brigid.
Que assim seja…
Blessed Be

“The wisdom and compassion a woman can intuitively experience in childbirth can make her a source of healing and understanding for other women.”

– Stephen Gaskin

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